terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eu simplesmente não o reconheci. A pessoa que eu estava vendo não era aquela que eu tinha conhecido a 10 meses atrás.
Primeiramente pensei que era uma briga qualquer, um drama qualquer que acontece todo dia e que eu já estava acostumada há tempos. Mas conforme o tempo ia passando, eu ia me assustando cada vez mais. Era um tipo de situação em que se mistura o amor verdadeiro e o cansaço, juntamente com uma tragédia em vista. Cada vez eu ia me assustando mais e mais e eu não sabia o que fazer. Primeiro eu estava no controle da situação, um tempo depois eu me via totalmente refém da pessoa que eu mais amei nos últimos 10 meses. Eu via todos os sonhos, todas as promessas, todas as coisas que eu ainda não havia tentado fazer simplesmente sumindo. Era como se eu estivesse vazia, como se todo o sentido que minha vida tinha, tivesse sumido totalmente. Eu estava sem chão.
A medida que o tempo passava, meu amado estava mais certo do que ia fazer. E não havia nada que eu pudesse falar ou fazer. Era tudo tão confuso, tinha sido tudo tão repentino que eu nunca na minha vida tinha sentido tanto medo quanto eu senti naquelas horas.
Eu estava usando todas as artimanhas possíveis para tentar fazer com que ele desistisse daquela ideia, mas que não desistisse de mim. Eu não tinha mais esperança nem forças, quando finalmente eu estava no chão e as lágrimas tomavam conta do meu rosto, mais ainda do que antes. E ele estava indo.
Quando eu achava que tudo estava perdido, uma surpresa: ele parou. Parou, logo voltou para mim dizendo "tudo bem, tudo bem". Eu não sabia o que isso significava, porque.. se era um "tudo bem, não vou fazer nada", pra mim estava tudo mal. Mais do que eu queria que ele não acabasse com sua vida, eu queria que ele ficasse comigo. Foi quando ele finalmente disse "tudo bem, eu estou com você".. (suspiro) ... "para sempre" (alívio!).
Mas depois disso, eu estava decidida. Depois de ver todo o sentido da minha vida escorregando pelo ralo, eu não tinha como acreditar em uma palavra que ele dizia. Eu sabia que logo que ele saísse da minha casa, ele o faria. E eu já tinha tomado minha decisão. Seria recíproco. Eu faria a mesma coisa. Logo, comecei a pensar em como o faria. Primeiramente pensei em minha mãe. Ela havia feito uma cirurgia há pouco tempo e ainda não estava totalmente recuperada, logo, precisando de mim para fazer algumas coisas. Depois, mesmo relutante, pensei em meu irmão e seus problemas. Minha mãe não aguentaria sozinha, e eu não poderia fazer isso com ela. Minha vó havia me ensinado que suicídio era pecado, pois Deus lhe deu a vida; e era só ele quem poderia tirá-la. Pois bem. Mas enquanto eu ia pensando nisso, meu amado ia me convencendo do contrário. Ele era melhor nisso do que eu. Comecei a pensar em todas as coisas que eu ainda não havia feito, e o quanto isso importava para mim.
Eu não podia fazer isso. Uma pessoa digna não pode fazer isso com as pessoas que a ama. EU me convenci que esse não era o melhor jeito. E tudo acabou assim, desse jeito. Ele foi para casa e depois me ligou dizendo que estava tudo bem. Mas eu não sabia se ainda me importava.

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